Teatro e Cinema
Roberto Cordovani estreia espetáculo sobre Salvador Dalí no Teatro Ruth Escobar
A vida, as genialidades e as contradições de Salvador Dalí, um dos maiores nomes do surrealismo, chegam aos palcos de São Paulo com o espetáculo “De Dalí a Salvador”. Escrito, dirigido e protagonizado pelo premiado ator Roberto Cordovani, o espetáculo estreia no dia 18 de novembro, às 20h, no Teatro Ruth Escobar, na sala Gil Vicente, para uma temporada inédita na capital paulista.
Depois de uma apresentação em Lençóis Paulista, no dia 13 de novembro, a montagem chega à capital com uma proposta de mergulhar na personalidade complexa do artista espanhol, explorando seus conflitos pessoais, suas paixões e as características que fizeram dele uma das figuras mais provocadoras da história da arte.
Nascido em 1904 e morto em 1989, Salvador Dalí transformou experiências traumáticas, medos e manifestações do inconsciente em elementos fundamentais de sua produção artística. Sua obra ficou conhecida pela estética surrealista e pela aproximação entre arte, psicanálise e os estudos de Sigmund Freud.
Entretanto, a trajetória do pintor também foi marcada por controvérsias políticas e comportamentais. Seu apoio ao regime de Francisco Franco e o fascínio declarado por Adolf Hitler contribuíram para seu afastamento do movimento surrealista europeu, liderado por André Breton.
No palco, Roberto Cordovani apresenta diferentes fases da vida de Dalí, revelando as contradições entre o artista genial e o homem que construiu uma personalidade pública marcada pelo exagero, pela provocação e pela excentricidade.
A montagem aposta em uma estética visual inspirada no próprio universo surrealista, com projeções de obras do pintor, oito trocas de figurinos, utilização de adereços e uma trilha sonora que inclui composições do poeta e músico Federico García Lorca.
Um dos pontos centrais da narrativa é a relação de Dalí com Lorca, poeta andaluz por quem o pintor teria vivido uma paixão intensa, erótica e trágica, marcada também por rejeições públicas. A peça aborda ainda a importância de Gala, esposa, musa e companheira do artista, considerada uma das figuras fundamentais de sua trajetória.
“Para além do gênio e do artista, Dalí era um homem em permanente conflito, que se considerava o único mito vivo da Espanha”, afirma Roberto Cordovani.
O espetáculo também explora a diferença entre a imagem extravagante que Dalí apresentava ao público e seu comportamento na intimidade. Segundo relatos do próprio pintor, longe dos holofotes, ele podia ser uma pessoa reservada e tranquila. Após a morte de Gala, passou a sair cada vez menos de seu castelo na Catalunha.

De Dalí a Salvador – Foto Divulgação Gabriel Jamal
A personalidade provocadora do artista aparece ainda em uma de suas definições mais conhecidas sobre si mesmo: “Sou não somente um agente provocador, mas um agente simulador… A loucura, em mim, pode ser substancial, e a substância mais profunda pode ser simples brincadeira”.
Com “De Dalí a Salvador”, Cordovani propõe uma experiência teatral que vai além da reprodução biográfica, convidando o público a conhecer as diferentes facetas de um personagem que transitava entre a genialidade, a provocação e as contradições humanas.
Com carreira internacional consolidada, Roberto Cordovani é ator, autor, diretor e produtor, reconhecido especialmente por sua interpretação de Greta Garbo no espetáculo “Olhares de Perfil”. Ao longo de sua trajetória, apresentou-se em nove países e mais de 320 cidades europeias, sempre atuando em língua portuguesa.
Sua interpretação de Greta Garbo lhe rendeu importantes reconhecimentos, incluindo o prêmio de melhor ator no Charrington London Fringe Awards, realizado no Old Vic Theatre, em Londres, em 1989. Também recebeu premiações no Festival Internacional de Teatro de Edimburgo, em 1989, no Festival de Otoño de Madrid, em 1994, e nos Premios Compostela de Teatro, em 1995, em Santiago de Compostela.
O artista também foi premiado pelas montagens de “O Retrato de Dorian Gray” e “Eva Perón, o Espetáculo”. Na televisão brasileira, ganhou destaque ao interpretar o vilão Sebastião Quirino na novela “Novo Mundo”, da TV Globo, personagem ligado à exploração e ao comércio de pessoas escravizadas.
Em 2025, Cordovani apresentou “Morte em Veneza”, montagem inspirada na obra do escritor Thomas Mann. Agora, retorna aos palcos com uma nova criação dedicada à vida e à obra de Salvador Dalí, reunindo diferentes linguagens artísticas em uma experiência sobre um dos personagens mais fascinantes e controversos do século XX.
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