Esporte
João Fonseca para em Mensik, mas faz história em Roland Garros
Por Geovani Moreira
A trajetória de João Fonseca em Roland Garros chegou ao fim nesta terça-feira (2), mas não sem deixar marcas importantes para o tênis brasileiro. Aos 19 anos, o carioca encerrou sua melhor participação em um torneio de Grand Slam ao ser derrotado pelo tcheco Jakub Mensik nas quartas de final da competição disputada em Paris. Apesar da eliminação, o jovem talento brasileiro consolidou seu nome entre as principais promessas do circuito mundial e recolocou o Brasil em destaque no saibro francês após mais de duas décadas.
Número 30 do ranking da ATP, João Fonseca foi superado por Jakub Mensik, atual 27º colocado do mundo, por 3 sets a 0, com parciais de 6/4, 6/3 e 7/6 (7/3), em uma partida que durou 2h44min. O confronto aconteceu na tradicional Quadra Philippe-Chatrier, principal palco do torneio, diante de um público que acompanhou mais um capítulo da ascensão da nova geração do tênis mundial.
Entre os espectadores estava o tricampeão de Roland Garros, Gustavo Kuerten, que voltou a acompanhar de perto a campanha histórica do jovem brasileiro. A presença do maior nome da história do tênis nacional simbolizou a conexão entre duas gerações que ajudaram a colocar o Brasil em evidência no circuito internacional.
As condições climáticas tiveram influência direta na partida. A chuva que atingiu Paris obrigou a organização do torneio a fechar o teto retrátil da Philippe-Chatrier, tornando a quadra mais lenta e pesada. O cenário favoreceu o estilo consistente de Mensik, que conseguiu impor seu ritmo desde o início do confronto.
Mesmo diante das dificuldades, João Fonseca demonstrou poder de reação em vários momentos da partida. O brasileiro salvou seis match points e lutou até o último ponto, mas acabou encontrando um adversário inspirado, que mostrou eficiência nos momentos decisivos e garantiu a vaga entre os quatro melhores tenistas do torneio.
Com a vitória, Jakub Mensik avançou às semifinais de Roland Garros, onde enfrentará o alemão Alexander Zverev, terceiro colocado do ranking mundial e um dos favoritos ao título da competição francesa.
Apesar da derrota, a campanha de João Fonseca representa um marco para o esporte brasileiro. O tenista tornou-se o primeiro brasileiro a alcançar as quartas de final da chave masculina de simples de Roland Garros desde Gustavo Kuerten, que alcançou essa fase em 2004. O feito encerra um jejum de 22 anos para o país no torneio parisiense.
Ao longo da competição, o brasileiro acumulou vitórias expressivas que chamaram a atenção da imprensa internacional e dos especialistas do circuito. Na estreia, superou o francês Luka Pavlovic. Em seguida, eliminou o croata Dino Prizmic, avançando com confiança para as fases decisivas.
O momento mais marcante da campanha aconteceu na terceira rodada, quando João Fonseca derrotou o sérvio Novak Djokovic, dono de 24 títulos de Grand Slam e considerado um dos maiores tenistas da história. A vitória foi vista como um divisor de águas na carreira do brasileiro e repercutiu em todo o mundo.
Nas oitavas de final, o jovem brasileiro voltou a impressionar ao vencer o norueguês Casper Ruud, especialista em saibro e duas vezes vice-campeão de Roland Garros. A atuação dominante reforçou o potencial de Fonseca para competir em alto nível contra alguns dos principais nomes do circuito.
Os resultados obtidos em Paris também terão impacto direto no ranking mundial. Com a campanha histórica, João Fonseca garantiu uma importante ascensão na classificação da ATP e deverá assumir a posição de melhor tenista sul-americano da atualidade, superando o argentino Francisco Cerúndolo.
A evolução no ranking confirma o excelente momento vivido pelo atleta, que vem acumulando resultados expressivos desde o início da temporada e consolidando seu espaço entre os principais nomes da nova geração do tênis internacional.
Agora, o foco do brasileiro se volta para a temporada de grama. O próximo compromisso será o ATP 500 de Halle, na Alemanha, com início previsto para 15 de junho. Na sequência, o tenista disputará o ATP 250 de Eastbourne, torneio preparatório para Wimbledon, terceiro Grand Slam do ano.
A eliminação em Roland Garros não diminui o significado da campanha construída por João Fonseca. Pelo contrário, o desempenho em Paris reforça as expectativas em torno de um atleta que vem sendo apontado como um dos principais talentos do tênis mundial e que já começa a escrever seu nome na história do esporte brasileiro.
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